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Medo é tema central de debates sobre educação, violência e democracia no XXII Fórum Pedagógico da Bahiana

Evento reuniu docentes e convidados para refletir sobre os diferentes sentidos do medo e seus impactos na formação acadêmica, na liberdade de pensamento e na atuação profissional.

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“Você tem medo de quê?”. Esta foi a pergunta de impacto que guiou os dois dias do XXII Fórum Pedagógico da Bahiana, realizado nos dias 7 e 8 de agosto, no Campus Cabula, reunindo docentes, pesquisadores e convidados em atividades voltadas à reflexão sobre os efeitos do medo nas relações sociais, na educação e na construção do pensamento crítico. A programação teve início com a apresentação “Histórias para Espantar o Medo”, do Grupo de Teatro Griô. Na sequência, o painel “Para Pensar o Medo” reuniu a psicóloga e pesquisadora Rima Awada Zahra, o psicólogo e psicanalista Paulo Antonio de Campos Beer e o professor Rogério de Almeida que, mediados pelo vice-reitor da Bahiana e coordenador do curso de Medicina, professor Humberto de Castro Lima, discutiram diferentes dimensões do tema.

De origem libanesa, a prof.ª Rima Awada Zahra trouxe a temática do genocídio em Gaza e relacionou o medo à violência e às dificuldades da sociedade contemporânea em reagir diante de graves violações de direitos. “Hoje, oito bilhões de pessoas, a maior concentração de seres humanos conscientes, alfabetizados e dotados de moral que já compartilhou um planeta ao mesmo tempo, uma população equipada com maior aparato de comunicação já concebido, e nós não conseguimos impedir que uma meia dúzia de homens reduzissem uma civilização a pó.” A reflexão sobre o medo também alcançou o cotidiano dos docentes. O professor Paulo Antonio de Campos Beer destacou que os profissionais da educação convivem atualmente com receios relacionados a agressões físicas, intimidações, abusos verbais, assédio, ameaças e acusações, além do impacto da exposição de suas falas e condutas nas redes sociais. A programação do primeiro dia contou ainda com a fala da professora convidada Patrícia Zen Tempski, que abordou o “Preâmbulo sobre fantasias e monstros da avaliação”.

Para a coordenadora do Núcleo de Inovação, Desenvolvimento Docente e Discente (NIDD) da Bahiana, prof.ª Lígia Marques Vilas Bôas, que coordenou o fórum ao lado da reitora da instituição, Dra. Maria Luisa Carvalho Soliani, a escolha do medo como tema do Fórum dialoga diretamente com o papel da instituição na formação de profissionais e cidadãos. “Afeto e cognição funcionam como um bloco no contexto da educação. Portanto, como pessoas comprometidas com a formação de novas e novos profissionais, precisamos estar atentas ao poder do medo. Ele pode nos proteger, mas, também, nos paralisar, coibir nossa criatividade e nos calar”, afirmou. De acordo com Vilas Bôas, discutir o medo é especialmente relevante diante do atual contexto histórico.

Na manhã de sábado (8), o público participou da atividade “Pirlimpimpim Para Assustar o Medo”, coordenada pela Dra. Maria Luisa Soliani, que, na sequência, mediou a Conversa Redonda. Neste segundo momento, os docentes da instituição e participantes de outras entidades, puderam apresentar, aos palestrantes convidados, suas impressões e questionamentos elaborados em grupo, no dia anterior, perfazendo um encontro de ideias acerca da docência, seus medos, desafios e esperanças. A programação do Fórum Pedagógico foi encerrada com a entrega do Prêmio Borboleguim de Ouro 2026 para a professora Lavínia Boaventura, em reconhecimento pelo seu trabalho à frente da Mostra Científica e Cultural, sua atuação no componente interdisciplinar de Práticas Interprofissionais em Saúde – PIS e toda a sua contribuição como docente da Bahiana. 

Fórum Pedagógico 2026

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